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8 coisas que aprendi escrevendo sobre nikkeis

Passei a observar a comunidade nikkei brasileira com outro olhar (foto: Shokonsai 2022 em Álvares Machado, SP -arquivo pessoal/Tatiana Maebuchi)

Minha história na comunidade nikkei começou em 2008, exatamente no ano de comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil – o que considero tarde, já que eu estava para concluir a faculdade de Jornalismo. Nos dois anos seguintes, fiz uma transformadora imersão cultural que se tornou a base para as descobertas que estavam por vir.

Passei um período distante da comunidade por conta do trabalho até que me tornei colaboradora do Descubra Nikkei.

A partir de 2015, então, comecei a desvendar histórias que me ajudaram a entender certos comportamentos e o que é ser descendente de japoneses. Passaram-se oito anos e percebi que aprendi muito mais do que imaginaria.

O que aprendi sobre a comunidade nikkei brasileira

1. Conhecimento

Adquiri um conhecimento que considero o bastante sobre a cultura e a comunidade nikkei no Brasil. Claro, eu já tinha uma boa noção, porém, aprender é uma tarefa constante ao longo da vida. Pelo menos para aqueles que querem evoluir a outros níveis de consciência (e para os eruditos).


2. Contribuição com a comunidade e contato com as raízes

Encontrei a melhor forma de contribuir com a comunidade de descendentes ao contar histórias minhas, de grupos e de representantes nikkeis, e de manter contato com as minhas raízes em uma coisa só. Em outras palavras, escrevendo!


3. Aprendizado pela observação

Passei a ver os nikkeis brasileiros com um olhar mais atento. Passei a procurar as semelhanças e diferenças não só entre eles próprios, como também entre eles e a minha pessoa. Passei a entender (melhor) os descendentes e a mim mesma. E, como consequência, passei a dar ainda mais valor às comunidades locais e às minhas raízes, e a querer continuar a desvendar novos conhecimentos, coletivos ou pessoais.


4. Nikkeis são semelhantes

Percebi que os nikkeis brasileiros são semelhantes de certa maneira. Compartilham experiências e interesses em comum, mas cada um tem valores, costumes e vivências diferentes. No fim, existe uma cultura nikkei brasileira que é resultado da mistura nipo-brasileira. Sempre achei natural, por exemplo, o hábito de – em almoços e reuniões de família – comer tanto pratos japoneses quanto brasileiros na mesma refeição (o típico churrasco com makizushi e manju de sobremesa).


5. Histórias de vida únicas

Cada história de vida é única e surpreendente. Assim, fui entendendo melhor o que é ser um nikkei brasileiro. Algumas pessoas tiveram e têm bastante proximidade com as tradições, enquanto outros menos e em variados graus. Aos poucos, de história em história, fui juntando informações e fazendo relações com aquilo que não entendia e descobri coisas que nem tinha ideia de que existiam.


6. Descoberta da identidade

Fui descobrindo minha identidade e a aceitei como é. Apesar de ter crescido distante da cultura, não devo ser chamada de "falsa japonesa". Nem se pode afirmar que sou menos descendente que aquele que desde sempre esteve em contato com as origens. Todos que têm pai, mãe, avô, avó, bisavô, bisavó, pertencendo a distintas gerações, são descendentes, não importa se a ascendência é de 25, 50 ou 100%.

Além disso, percebi que existem muitas pessoas que não possuem contato nenhum com a comunidade ou com a cultura e que não se pode forçar ninguém a se envolver nas atividades. Esse distanciamento tem a ver com a história de vida de cada um (e de sua família) e com o que se pensa e deseja para o futuro.

E, na verdade, a identidade, seja individual ou coletiva, está sempre em transformação. Embora exista um traço comum como ponto de partida, essa identidade é construída também pela diferença, que coloca os limites do “eu”, de quem “sou”. “Esses limites podem ser bastante fluidos, transformando-se de acordo com as experiências do indivíduo, suas reflexões e sua trajetória de vida” [1].


7. Poder de gerar identificação

Descobri ainda que tenho o poder de gerar identificação entre as pessoas, influenciar – no bom sentido da palavra – e fazer com que os descendentes – como, por exemplo, meus próprios familiares, além de leitores e interessados na cultura japonesa e na comunidade nikkei – se aproximem de suas raízes, de sua história, de sua identidade.


8. A comunidade nikkei tem muito a nos ensinar

Por fim, a comunidade nikkei tem muito a ensinar, a mim e à sociedade em geral. É importante conhecer a visão das pessoas ativas, do papel das associações, as discussões que têm sido feitas e ter contato com a mistura de culturas. Sem dúvida, é um legado que deve ser lembrado e transmitido para as novas gerações.

O mais curioso é que frequentemente acabo me surpreendendo, porque – mesmo sem esperar – me dou conta de que estou diante de novos ensinamentos e, logo, obtendo novos pontos de vista sobre o desenvolvimento da comunidade nikkei brasileira e sua cultura peculiar, um misto da japonesa com a brasileira e com a influência de tantas outras, asiáticas ou não.


Nota:

1. MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria das mídias digitais: Linguagens, ambientes e redes. Petrópolis, Vozes, 2014.

 

© 2023 Tatiana Akemi Maebuchi

Brasil identidade brasileiros japoneses
About the Author

Nascida na cidade de São Paulo, é brasileira descendente de japoneses de terceira geração por parte de mãe e de quarta geração por parte de pai. É jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e blogueira de viagens. Trabalhou em redação de revistas, sites e assessoria de imprensa. Fez parte da equipe de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), contribuindo para a divulgação da cultura japonesa.

Atualizado em julho de 2015

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