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Empresas Multinacionais Japonesas: Desempenho das Subsidiárias no Exterior

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O rápido processo de globalização da economia mundial trouxe profundas mudanças na forma de realizar negócios. Empresas enfrentam uma crescente competição nacional e international e tentam tirar vantagens das oportunidades oferecidas pelo mercado mundial. Seguindo esta tendência, as empresas multinacionais japonesas tiveram a expansão de suas atividades em diferentes países, o que resultou em se tornar um dos cinco maiores investidores do mundo durante os anos 90.

Mas não é tão fácil estabelecer e operacionalizar subsidiárias no exterior, principalmente em países que diferem culturalmente do Japão. O que determina o sucesso das subsidiárias estabelecidas no exterior? A escolha de modos de entrada em mercados tem alguma influência no desempenho das subsidiárias japonesas? Quais fatores possuem impacto no desempenho das subsidiárias?

No intuito de responder às estas questões, o presente estudo investigou o caso de investimentos japoneses no Brasil. Embora poucas pessoas têm conhecimento, as primeiras subsidiárias de empresas japonesas estabelecidas no mundo, tais como Toyota (1958), Pilot Pen (1954), Fujifilm (1958), and Yanmar (1957), foram realizados no Brasil. Além disso, recentemente o país tem sido foco de atenção como um mercado emergente potencial, especialmente depois da publicação do estudo desenvolvido por economistas da Goldman Sachs, que realizaram algumas observações positivas dos países BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) sugerindo que estes poderão ser as futuras potências econômicas do mundo. O Brasil também possui uma significativa participação no investimento de empresas japonesas, representando respectivamente 63% do número total de subsidiárias na América do Sul e 33% da América Latina. Outro fato importante, de acordo com uma pesquisa do Japan Bank for International Cooperation (JBIC), é que o Brasil recebeu atenção especial das companhias japonesas como um destino promissor de negócios no exterior a longo prazo. A grande maioria dos Top 10 são países provenientes da Ásia, exceto os EUA (país desenvolvido) e o Brasil. Todos estes pontos reforçam a atratividade do Brasil como um país a ser investigado no tópico de operações de subsidiárias japonesas no exterior.

Neste estudo foram utilizados duas base de dados para coletar as informações de desempenho das subsidiárias: as edições do Anuário: Empresas Japonesas no Brasil e Kaigai Shinshutsu Kigyou Souran: Kuni Betsu (Toyo Keizai Databank: Japanese Overseas Investments: by country). Informações adicionais foram obtidas através de inúmeros volumes da Exame Melhores e Maiores, Valor 1000 e Infoinvest Análise de Empresas.

Quando as empresas decidem realizar investimento direto em um determinado país, existem inúmeras maneiras de acessar a este mercado. As firmas poderão entrar neste novo mercado estabelecendo subsidiárias próprias com a vantagem de ter o controle total sobre as operações. Contudo, isto implica em iniciar o processo do zero, além de necessitar um grande volume de recursos financeiros e apresentar alto grau de risco de investimento. Uma outra forma de acessar o mercado é através da formação de uma joint venture com um parceiro local. Ao estabelecer esta joint venture internacional, as empresas podem dividir os riscos, recursos envolvidos e adquirir conhecimento do mercado através do parceiro local. Contudo, isto implicará um alto custo para procurar um parceiro local ideal e um potencial problema de cooperação com um parceiro proveniente de uma cultura nacional diferente. Uma outra forma de entrar no mercado estrangeiro, particularmente realizado por empresas japonesas, é estabelecer joint ventures com parceiros de mesma nacionalidade, que podem ser entre firmas do mesmo grupo (keiretsu) ou empresas independentes (não afiliadas).

Os resultados empíricos demonstraram que as empresas japonesas atingiram um melhor desempenho quando estabeleceram joint ventures, com parcerias formadas com outras empresas japoneses (Japanese-Japanese JV). Isto significa que diferenças culturais podem influenciar no aspecto de colaboração, como processo de gestão de conhecimento e estilo gerencial, que tendem a afetar a aquisição de conhecimento e transferência de capabilidades de parceiros que não são familiares às práticas locais. Além disso, os resultados sugerem que o bom desempenho das joint ventures formadas por empresas japonesas não estão relacionados à afiliação entre os parceiros (ex. firmas que pertencem ao mesmo grupo keiretsu), mas relacionada ao parceiro japonês que possui experiência operacional acumulada no mercado brasileiro. Isto implica que as firmas japonesas ao operar e conher o mercado local, estas constróem novas capabilidades, e conseqüentemente ultrapassam a desvantagem de ser estrangeiras no país receptor de investimento. Portanto, o conhecimento local torna-se uma vantagem corporativa e competitiva quando esta é desenvolvida e acumulada através do processo fazer-aprendendo ao operar no país. Adicionalmente, os resultados revelam que o bom desempenho é atingido com o aumento do número de subsidiárias no mercado alvo, em outras palavras, firmas que realizam investimento seqüenciais no mercado local. Isto sugere que as subsidiárias de firmas com investimentos subseqüentes no Brasil tiveram uma maior lucratividade comparada às subsidiárias de multinacionais que possuem apenas um investimento no país. Aumentar o network de subsidiárias no país alvo permite que a firma obtenha ganho de economia de escala ao dividir e partilhar instalações, informações, pessoal, e outros recursos entre subsidiárias, e conseqüentemente tem um impacto positivo no desempenho operacional.

Notas:
Abaixo estão listados os artigos publicados como resultado deste estudo. Para maiores detalhes da pesquisa, acesse os seguintes trabalhos:

- “The impact of ownership, internalization, and entry mode on Japanese subsidiaries' performance in Brazil”. Japan and the World Economy, 19(1): 1-25, 2007. Este artigo recebeu o Prêmio de Excelência em Pesquisa 2007 dado pela Associação Japonesa de Ciências Administrativas (Japanese Association of Administrative Science - JAAS).

- “The effects of entry strategy and inter-firm trust on the survival of Japanese manufacturing subsidiaries in Brazil. Asian Business and Management, 7: 353-380, 2008.

- “Foreign direct investment of Japanese companies in Brazil”. In: Harrison G. Blaine. (Org.). Foreign Direct Investment. New York: Nova Science Publishers, 2009 (no prelo).

- “Implications of firm experiential knowledge and sequential FDI on performance of Japanese subsidiaries in Brazil”. Review of Quantitative Finance and Accounting, (a ser publicado em 2010).

- “Profitability of Japanese companies in Brazil: the role of firms’ local and international experiential knowledge and subsequent investment decision”. Brazilian Administration Review (em revisão). Recebeu o Prêmio de Melhor Artigo do EnANPAD 2008 (Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração).

Nesta pesquisa foi analizada o desempenho das subsidiárias estabelecidas no exterior de empresas multinacionais japonesas. Este tópico vem ganhando atenção especial de acadêmicos que investigam investimento direto estrangeiro de empresas multinacionais no mundo. Enquanto a grande maioria de estudos tem analizado as subsidiárias japonesas estabelecidas em países desenvolvidos (ex. EUA e Europa) e países asiáticos em desenvolvimento, existem poucos estudos de investimentos japoneses em outras nações. Neste projeto o enfoque da investigação é examinar o desempenho das subsidiárias japonesas no Brasil, um dos países denominados BRICs. Baseado em informações de banco de dados japoneses e brasileiros, examina-se o impacto da entrada de mercados, experiência operacional acumulada em mercados internacionais e locais, e decisões de investimentos subseqüentes no desempenho das subsidiárias japonesas no Brasil. Os resultados desta pesquisa foram apresentados em diversas conferências nacionais e internacionais e publicadas em periódicos internacionais.

 

© 2009 Mário Henrique Ogasavara

Brasil corporações globalização relações internacionais Japão multinacionalidade
About the Author

Mário Henrique Ogasavara, Ph.D.: Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), MBA e Ph.D. in Management pela University of Tsukuba (Japão) e Pós-Doutorado pela National University of Singapore (Cingapura). Atualmente é Professor Adjunto do Curso de Mestrado em Administração da Universidade de Fortaleza (Unifor) e Pesquisador Associado da Universidade de Brasília (UnB) no Departamento de Administração. Email: marioga@unifor.br e marioga@unb.br

Atualizado em abril de 2009

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