Laura Honda-Hasegawa

Nasceu em São Paulo, Capital, em 1947. Atuou na área da Educação até 2009. A partir daí passou a se dedicar exclusivamente à escrita, a sua grande paixão. Escreve crônicas, contos, poemas e romances, tudo sob a ótica nikkei.

Atualizado em setembro de 2018

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OHAYO Bom dia

Capítulo 15: Minha alegria é escrever

Para mim, escrever é um ato de pura alegria. Ao longo desses anos todos, viver tem sido algo gratificante porque para mim sempre existiu a escrita, motivo maior e incentivo para seguir em frente. Criancinha ainda, eu vivia rabiscando na parte inferior do guarda-louça de casa. Do lado de dentro, que era para ninguém ficar espiando. Ainda conservo na memória a série de desenhos e garranchos que, para uma criança, certamente teria representado uma porção de histórias espetaculares. E quem me ensinou as primeiras letras foi meu pa…

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OHAYO Bom dia

Capítulo 14: Vozes e sons

Poti é um cão japonêsAbana o rabo  Wan wanPeri nasceu no BrasilEle não faz Wan wanE sim  Au auEle só entende Au au Nyan nyan mia o gato japonêsO galo canta  Koke-ko-kooNo Brasil é diferenteO gato mia  Miau miauE o galo faz  Co-co-ri-coóNão é interessante? As crianças lá do Japão cantam“O trem  Poppo  poppoShuppo shuppo shu-po-pô”No Brasil não é assimSe não for Piu-í piu-íNão é trem não Tic-tac-t…

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OHAYO Bom dia

Capítulo 13: Você fala a língua nissei?

Quando estudante eu tive como colega uma garota muito pitoresca. Ela era filha de japoneses e em casa falava apenas o japonês. Embora a classe fosse 90% de brasileiros, ela usava palavras em japonês sem o menor constrangimento. “Antá estudou para a prova?”, “Eu não entendi direito ano lição”. Inicialmente achava que soava estranho, mas a classe toda aceitou naturalmente e, sendo assim, as conversas na hora do intervalo foram ficando cada vez mais divertidas. Mesmo hoje, toda vez que ouço a palavra anta (você), se…

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OHAYO Bom dia

Capítulo 12: Sobre o sotaque do japonês

Quando eu era estudante, ouvi muitas vezes frases como: “Os japoneses não são bons em português”. Quer dizer, não sabem redigir, não se expressam bem, as palavras soam estranho, enfim, que o português mais parece japonês. Por coisas assim, havia alunos que desistiam de estudar. Nessa época era comum ser atendido nas lojas por vendedores imitando o modo de falar do japonês. Mesmo na faculdade, eu percebia essa visão tendenciosa em pequenas atitudes por parte dos professores. Certa vez, uma aluna nikkei prestes a …

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OHAYO Bom dia

Capítulo 11: Qual é o seu nome?

Meu nome é Laura. De origem latina, significa “sucesso”. É uma pena, mas não tenho prenome japonês, ao contrário de muitos de minha geração que não têm nome latino ou “brasileiro”. Naquela época, o fato de o estudante possuir apenas nome japonês fazia com que os colegas de classe fizessem troça e, algumas vezes, até a professora acabava falando algo inadequado, causando um certo desconforto. Também se falava que o “nosso português” era estranho ou ruim &ndas…

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